Já dizia Machado de Assis: "A nação não sabe ler". Passados mais de 100 anos, os indicadores melancolicamente continuam a confirmar tal declaração. De acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), 75% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Isso mesmo, 3 em cada 4 brasileiros não sabem ou não entendem o que lêem. Esse dados são alarmantes, pois vivemos em plena sociedade do conhecimento em que a educação é a base para o desenvolvimento.
É imprescindível que a educação ande paralela com o ensino. Para a professora Cileda Coutinho da PUC-SP, "não adianta mudarmos currículos, fazermos projetos, se não trabalharmos tudo ao mesmo tempo. Projetos isolados não vão produzir resultados se não estiverem no bojo de um trabalho maior e contínuo". Princípios básicos como comer à mesa, noções de higiene, de música, de poesia, de dança devem fazer parte do currículo na primeira infância. A criança deve estar bem nutrida para assimilar os conhecimentos transmitidos, o que nos remete à necessidade de solucionar o problema da desnutrição no Brasil. A qualidade do ensino deve ser urgentemente melhorada. A atuação do professor é mister. O educador deve trabalhar tendo a visão de que os alunos tem diferentes níveis de aprendizado. Organizar situações simples de estímulo, como leitura em voz alta e em grupo, leitura com o objetivo de localizar dados para compará-los, sublinhar e listar as principais informações são de suma importância.
O analfabetismo funcional tem forte apelo político, pois é frequentemente associado à criminalidade, desemprego, explosão de natalidade ou das instabilidades da democracia. Em artigo à Folha de São Paulo, o jornalista Gilberto Dimenstein lembrou: "Vamos falar quase exclusivamente para o clube dos 20%, enquanto a maioria vai se encantar com os delírios embalados pelo marketing. Isso pela simples e óbvia razão de que, com baixa escolaridade, a democracia será sempre uma simulação de representatividade", ou seja, nos momentos decisivos esse problema se agrava".
A erradicação do analfabetismo funcional no Brasil é um processo longo mas extremamente cabível e recompensador. As medidas são óbvias e urgentes. Cabe a cada indivíduo denunciar uma 'democracia de papel', exigindo e ao mesmo tempo exercendo os deveres necessários para extirpar esse grave problema.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
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