terça-feira, 13 de abril de 2010

Brasileiro, cidadão de papel

É intrínseco ao seu humano o desejo de justiça e liberdade. A partir desse conceito, lançam-se os fundamentos da cidadania. Ao olharmos ao redor, podemos notar nitidamente que uma sociedade ordeira e igualitária é utópico. Em vista disso, nos perguntamos: Será que nós, brasileiros oriundos de um sistema sócio-econômico tão desigual, podemos nos considerar cidadãos?

De acordo com a história do Brasil, atestamos que a existência dos direitos civis para ampla parte da população é recente. Voltando à época do descobrimento, os colonizadores impunham suas regras, língua e religião sufocando a liberdade dos índios. Até 1888, a escravidão não dava direito algum aos negros. Já no século XX, Getúlio Vargas teve um papel fundamental ampliando fortemente as leis trabalhistas. O direito ao voto feminino serviu de grande impacto para a mulher conquistar seu espaço na sociedade. A ditadura militar foi um período marcado por submissão total, sendo assim um período infrutífero para a exposição de idéias opostas ao regime em vigor. A partir dos anos 80, os ‘‘anos rebeldes’’, com a queda do regime militar os brasileiros respiraram aliviados e se tornaram esperançosos quanto ao futuro.

Em contra partida à liberdade de expressão, vêm os problemas sócio-econômicos que contribuem para a exclusão social. Nós brasileiros temos o direito de ir e vir, mas como exercê-lo livremente com uma criminalidade tão alarmante? Temos o direito ao voto, mas como exercê-lo conscientemente numa sociedade pobre em educação e corrupta? Temos as leis trabalhistas, mas como exigi-las sem receio num país de altos índices de desemprego? Temos o direito à saúde, mas as filas de esperas intermináveis tanto quanto a precariedade dos equipamentos do serviço público comprovam desrespeito à vida.

O brasileiro é o cidadão da burocracia. Apesar de nossos direitos estarem regularizados por lei, esbarramos em obstáculos que impossibilitam o pleno usufruto deles. Estamos em ano de eleição, momento propício para desbancarmos discursos eloquentes e nos focarmos em propostas maduras e viáveis que tragam resultados. Está mais do que na hora de criarmos políticas que saiam do papel e honrem o termo ‘‘cidadão brasileiro’’.

Nenhum comentário:

Postar um comentário